only a killjoy would claim neon wasn't beautiful
"O ato de representar consiste em incorporar-se à realidade e ultrapassá-la, fazendo parar sua respiração. Dessa forma a representação é sempre herdeira da realidade. Essa coisa que denominamos realidade deixa-se mover por aquilo que ela própria coloca em movimento, deixa-se dominar por aquilo que ela domina. Por exemplo, o responsável mais direto por movimentar e dominar a realidade são “as massas”. Entretanto, quando se trata de representação, é difícil colocá-las em movimento. Nada no mundo pode força-las a representar. O responsável por elas é o “artista”. Apenas a representação pode dar à realidade um aspecto real, uma vez que a realidade não está embutida em si mesma, mas no interior da representação. A realidade é muito mais abstrata que a representação. No mundo real, a apenas uma convivência confusa dos seres humanos, homens, mulheres, amantes, famílias, etc. Oposto a esse, no mundo da representação há seres humanos, homens, mulheres. amantes dignos assim de serem chamados, famílias constituídas de uma essência etc . A representação arrebata o núcleo da realidade, sem contanto se entregar a ela. Como uma libélula, reflete sua imagem na superfície da água, toca-a em vôos rasantes, inesperadamente põe ovos sobre ela. Suas larvas são criadas dentro da água, preparando-se para o dia em que voarão livres para o firmamento. Aprendem os segredos da água, mas desprezam o universo aquático. Essa é, antes de tudo, a missão da espécie." — cores proibidas, yukio mishima, p.196

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